Ele quebra o espelho pelo medo e pelo mistério. Será que é possível além do espelho destruir o reflexo contido? Será que é possível quebrar uma pessoa e remontá-la de novo, mas montá-lo diferente, montá-la com tudo que não se tem e ainda assim, manter o que se tinha sem perdas?
Dos cacos no chão ele via partes de si. Os olhos castanhos que tanto se orgulhava por achá-los belos, mas que ao mesmo tempo transmitiam a confusão que se passava em sua mente. O cabelo
cujos dedos viciados tocavam-no a cada minuto pela necessidade de se achar atraente. Cada pedacinho de espelho detalhando seus traços enquanto lembra-o da pessoa que é.
Queria mudar quem era, co-
Queria mudar quem era, co-
meçar do zero. Dessa vez se olharia menos no espelho, roçaria menos seus cabelos, faria mais o que lhe dava prazer, seria tudo aquilo que não poder ser. Mas parado ali, encarando os cacos do que antes era ele, se deu conta que mesmo juntando todos os pedaços, o espelho jamais seria o mesmo, ele estaria diferente, modificado, atingido. O estrago estava feito e isso não era ruim. A ação de transformação estava feita. O que restava agora era reerguer a pessoa quebrada do espelho, pois sempre haverá no seu reflexo a lembrança do anseio, da vontade, do início da mudança.
Uma vez lhe foi dito que muitos passam uma vida reformando cômodos de suas casas, mas o que realmente é difícil é derrubar essa casa e construir do zero. Com isso em sua cabeça ele visualizou seu espelho, sua casa, e dos cacos montou o espelho quebrado, enquanto segurava em sua mão uma marreta para colocar abaixo o que antes era ele.
Uma vez lhe foi dito que muitos passam uma vida reformando cômodos de suas casas, mas o que realmente é difícil é derrubar essa casa e construir do zero. Com isso em sua cabeça ele visualizou seu espelho, sua casa, e dos cacos montou o espelho quebrado, enquanto segurava em sua mão uma marreta para colocar abaixo o que antes era ele.

Nenhum comentário:
Postar um comentário