terça-feira, 24 de abril de 2012

Quando o tudo se transforma em nada.

  No começo eu me senti sufocado, como se centenas de mãos apertassem meu pescoço. Nenhum som saia. Nenhum ar entrava. Uma agonia transformando-se em aceitação. Não conseguia tirar as mãos do meu pescoço por mais que tentasse. Era como uma pressão, a ponto de explosão cerebral. Senti como se minha mente estivesse embaixo das patas de um elefante. Tentei não me importar no começo, mas não é uma tarefa fácil. Parte de você quer que se importe.
    A primeira coisa que surge na mente é a fuga. Qualquer lugar longe dali, longe de qualquer pessoa, de qualquer problema, de qualquer existência humana que possa te lembrar. Um lugar onde a respiração é livre de qualquer pretensão. Onde o simples fechar de olhos se torna um êxtase momentâneo intenso.
  Você observa ao redor. Se pergunta o "porque de estar ali". Depois, o "por que não continuar ali". Senta ali mesmo onde está. Respira tão calmamente de uma forma transcendental. O mundo não exste mais pra você naquele instante. A única sensação presente é a brisa ao seu redor, como uma dança acolhedora. Te envolve e protege. Você se rende nesse momento. Se entrega de tal forma que livra-se de tudo. A mão passeia calmamente na relva ao redor.
  Um sorriso banal surge nesse minuto. Tudo parece cômico de repente. Nesse minuto, nessa fração de tempo, nada mais lhe é importante. Nada mais lhe diz respeito. Você não se importa mais. Por mais que tenha que resolver os problemas quando voltar, não te serão mais tão pesados. Seu peso é nulo. Quase inexistente. E mesmo que voltem a lhe cair aos ombros, você sabe que sempre terá um lugar para onde ir. Um lugar onde tudo é nada e nada é tudo. Um lugar seu. Somente seu.

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