Meus braços criando formas circulares na água, já demonstravam exaustão. Minhas pernas descansavam imóveis, inúteis. Com os olhos fechados eu podia sentir tudo ao meu redor. A água acalentava meu corpo, como se já fossem amigos a muito tempo. Meus dedos enrugados condenavam o tempo em que estava lá, mas isso passava despercebido, pois o tempo era algo que não me importava mais.A roupa colada dificultava meus movimentos; pesavam 10 vezes mais que o normal. Um turbilhão surgiu novamente e me vi envolto em bolhas e pequenos rodamoinhos.
Minha mente girava e girava como numa brincadeira de roda. Não sabia mais o que fazer. Estava cansado, mas não de uma forma física. Meu coração já estava cansado de tudo. Minha cabeça cansada de todos. Uma dor no peito que ninguém fazia ideia que existia, e nem sequer se preocupavam em saber. Tudo tinha sido tão trabalhoso e tão difícil por nada. Como se uma vida inteira tivesse sido despejada na merda de um lixão. Meu corpo todo estava cansado. Eu já não me esforçava mais para ficar flutuando. Meu corpo cedeu, junto de minha mente, meu coração e minha alma. Abri os olhos. A imensidão não me assustou. Pelo contrário. Senti que finalmente algo estava ali comigo, me ajudando e me acompanhando. As poucas bolhas soltavam. Eu estava totalmente entregue, mas não arrependido. Era como se todos os problemas apenas desaparecessem, e tudo tivesse se tornado simples e acolhedor. Fechei os olhos. Observei a campina florida em minha mente. Me despedi. Como numa projeção astral observei meu corpo. Parecia tranquilo, sereno, entregue; em paz. E desvaneci.
Muito se falou de mim por um tempo. Aonde eu teria ido? Por que não avisei ninguém? Se eu estaria vivo, se estaria feliz. Mas logo se esqueceram também, por que é assim que a natureza procede. Ela mancha, mas depois limpa.
Há tempos, eu também escrevia.
ResponderExcluirAo longo da vida, perdi a doçura da qual era necessária para que como você, pudesse usar das palavras o meu arco e flecha.
Minhas flechas se perderam, meu arco tão pouco sei onde se encontra.
Por que não publica mais?
Como você disse "...por que é assim que a natureza procede. Ela mancha, mas depois limpa".
Saiba que as pessoas se vão mas suas palavras ficam para a eternidade.