Havia sim de fato um garoto, normal a olhos comuns, inteligente, bonito, diferente. Jovem, sentia que sua vida precisava de um significado. Não sabia ao certo onde encontrar. Sua vida era sempre rotineira de baboseiras e necessidades humanas. Olhava para tais coisas imaginando a importância delas. Se algum dia serviriam para alguma coisa além de sua existência mundana.
Nunca havia se apaixonado. Suas relações nunca foram baseadas nesse sentimento; apenas pela necessidade de não estar sozinho. Em seu coração, sabia que a primeira vez que isso acontecesse seria épico, como um fenômeno que todos iriam lembrar. Algumas coisas poderiam mudar, outras não. Seus olhos ansiavam por mudanças. A data era dois de março do ano de dois mil e onze. Seu coração batia cada pulsação como se cronometrasse cada segundo necessário para fazê-lo valer-se de um momento único. Ele sabia que algo estava para acontecer, e estava esperando o momento chegar.
Sua cabeça sempre fora sobrecarregada. Como se um excesso de informações a sua volta fossem absorvidas pelo buraco negro da sua mente. Tinha muitas perguntas, mas poucas respostas. Perguntou uma vez a uma lagarta na tentativa absurda de alguma coisa acontecer. Mas ao que parecia apenas Alice poderia saber do que se tratava. Sentia a brisa do vento acariciar seus cabelos. Não eram compridos, nem muito curtos, mas de um tamanho certo, que faziam sua pontas douradas chegarem a brilhar conforme o balanço do vento e o alcance da luz do sol. Sentia-se livre de certa forma. A pressão era algo constante, mas condensado; como se apenas o sentisse próximo, não sobre ele.
Eram oito e dezesseis da noite do dia dois. Todos ouviram a notícia no rádio. Hoje um evento épico aconteceria. Da janela do seu quarto o garoto conseguia sair para o telhado. Um ponto inteligente de fuga. Ficava no telhado horas de seus dias pensando em tudo. Era sim seu lugar preferido no mundo. Deitado com os olhos atentos no céu estrelado ele esperou. Talvez se sentiria um pouco melhor. Algo para aliviar aquele vazio. Aquela ausência.
O céu não estava completamente estrelado. A escuridão e a lua minguante tomavam de completo a imensidão estelar. Pensou por alguns minutos em toda a sua vida. Todas as coisas e pessoas que dependiam dele; todas as pessoas que nunca o valorizavam. Todos aqueles que um dia talvez se lembrariam dele. Tudo que queria era que alguém dissesse que tudo ficaria bem.
Ele o viu surgindo por sobre sua casa. Aquela luz longe ao seu alcance brilhou em seus olhos. Um feixe de luz incandescente que se movia lentamente sobre a escuridão da noite. Sentiu um fogo ardendo por sobre seu corpo. Uma vontade de felicidade; de sorrir. Aquela imensa bola de gás e gelo despertara de certo modo, algo nunca antes sentido pelo garoto. Um sentimento guardado que ele não sabia dizer com exatidão o que era. E a partor daquele instante o garoto começoua ver tudo de um jeito diferente.

cara adorei demaaaaaaaaais, demais mesmo! parabeeens
ResponderExcluir